Natássia, por Atílio de Almeida – Parte 1

Este conto integra a coletânea de narrativas desenvolvidas para o projeto “Em um mês, um conto” e sua publicação no Duras Letras foi autorizada pelo autor.

– Estou na sala da casa que moro, cheia de pessoas da minha família que não é pequena, fazendo só o cotidiano de suas vidas e eu apenas largado em um canto, subsistindo.

Uma forma de conduzir o dia a dia após um acidente que me deixou em estado vegetativo para essa realidade em que você está e tomando conhecimento da minha história.

Então vou contar sobre Natássia de Artemis, que almejou a divindade. Ela teve o esclarecimento que podia e acreditou. Em um tempo sem tempo e além que podemos qualificar como pré-gênese ou pós-apocalíptico.

Não vou comentar a situação em que me encontro, onde me esquecem, não me alimentam, nem sou lavado até que começo a cheirar mal. Prefiro contar como estou e onde a consciência pode me levar, que é o motivo por que não deixam meu corpo se desfazer, que não me deixam morrer.

Por que? Simples! Eu os controlo e… SUPRESA! Também te controlo, e tudo o que existe: conceitos, imaginação, matéria. Tudo é real, uso palavras que compreende, porque não sou eu, talvez seja só sua imaginação. Pode pensar que em um paradoxo você está lendo, em outro, vivendo ou assistindo, seu coração pulsa e sua respiração ofega. Tudo isso até agora para te ambientar em uma mensagem que está na sua memória, no seu DNA.

Ela chegou do nada, avassaladora, seduziu minha atenção, meu tesão. Viajava em Sorrento, não sendo deusa ainda, usava essa tecnologia para auxiliar nas suas aventuras e conquistas, mas tudo vinha de dentro, de sua mente e transcendia em tudo ao seu redor a partir da sua imagem esplendorosa do corpo que conjurou para sair do meio comum no que você pode identificar como Terra. Onde existe o Portal Atlantis, nosso ponto focal de acontecimentos.

O tempo não existe! O que é passado? Futuro?

Eu fico empolgado por revelar o que está dentro de você, o conhecimento coletivo, você é Deus e está em uma mente e corpo limitados.

As pessoas criam coisas, mas, na verdade, do que a robótica será capaz? Órgãos artificiais farão os seres vivos viverem eternamente?

Essa tecnologia já existe, os seres foram projetados com funções específicas, velocidade, envergadura, transporte… Você que faz coisas incríveis do nada também é um vírus que se movimenta em estruturas maiores.

Superpoderes, conhecimento científico, distinguir sobre certo e errado… Qualquer assunto, gênero, perspectiva eu posso esclarecer, não preciso me preocupar com ética ou caráter.

Um pouco bizarro dizer sobre sentimentos, mas é para você entender que eu mudo os acontecimentos.

– Oi, tudo bem? Preciso de ajuda. Gostaria que me ajudasse, preciso de proteção para meus apoios bípedes, estou reenergizando, mas a conexão com a superfície está queimando a camada de triagem e proteção, principalmente enquanto eu ando.

A praia estava sobremaneira quente, na mesma hora fiquei descalço e lá se foi para continuar desbravando, na verdade iluminando a praia.

Eu sou de Júpiter, um deus que talvez conheça, e apenas alguém como eu para poder partilhar o poder e criar outra divindade.

Me sinto muito descritivo com relação ao nosso pequeno invólucro, percebi milhares de diferenças junto a essa realidade, vi o grande controle para não surgir o grande esplendor possível pelos seres habitantes nesse ponto.

Fico perdido entre mostrar o que aconteceu e meu desejo quase pornográfico onde uma mente sem conexão com o completo da existência pode almejar resplandecer.

O pequeno acidente que colocou Atlântida apenas na comunicação transmitida pelo DNA. Na maioria das configurações, a destruição do portal, hoje ainda um mistério para mentes no início da evolução, e que poucos entendem, e que veem um lampejo da amplitude existencial em sonhos, alguns ditos criativos apenas conseguem resvalar enquanto acordados e repassam a outros inferiores que acumulam conhecimento, mas que, não tendo estrutura, explodem, literalmente, ou vegetam, como eu.

– Meu sistema foi organizado com as funções de demonstração de aproveitamento, meu compartilhar do desfrute de situações e locais é para o deleite dos seguidores aproveitarem comigo, eu transmito prazeres e essa visualização faz com que tenham parte desse prazer e a distribuição pelos canais reduz a sensibilidade, mas é suficiente para alguns mudarem suas programações e virem a desfrutar com mais intensidade.

– Eu mesma mudei minha configuração básica para me adequar a tais tarefas, tais quais realizo com muito prazer, e muitas vezes encontro e interajo com outros que me ajudam e exponenciam essas experiências. Como quando te encontrei aleatoriamente, Júpiter.

Tudo ocorria bem no andar da carruagem do pequeno planeta Terra. Cada constelação, e os sitemas regidos por estrelas, tem seus portos, mas os seres localizados no quadrante de Atlantis precisavam de atenção. Como já houve vários vislumbres de destruição por lá, a energia distópica surpreende os compenetrados.

Toda ação necessita energia e o processo de divinificação de Natássia começou com um fluxo energético tão intenso que culminou no colapso do sistema regido pela estrela denominada, atualmente, pelos seres do 3º planeta, Sol.

O terceiro planeta era o mais próximo da estrela regente, a configuração do sistema solar era muito diferente, havia mais um planeta que sucumbiu com a força do empuxo de Artemis.

A Terra praticamente foi poupada devido a fatores importantes, como o firmamento da base de Atlantis, o que funcionou como um escudo energético e a posicionou na atual referência – se a movimentação fosse possível por lá, nas condições que se encontram hoje, a própria logística estirparia o câncer que é a espécie dominante que vem extinguindo qualquer tentativa de evolução.

Todas as vidas inteligentes existentes nos outros planetas do sistema foram dizimadas, os resíduos de Vulcano se tornaram anéis em Saturno. Na Terra, o que você conhece por “dinossauros” tinha carcaças, devido à necessidade criada pelas condições climáticas, que são simples peles e penas aos seres que povoam a área.

Se apenas não houvesse raciocínio, haveria um pequeno ponto de espécies diversas, o que seria melhor, por só haver bichinhos, répteis, humanoides, vegetoides…

Continua

Anúncios

Sobre o autor

Atílio de Almeida é um viajante multidimensional ainda em formação. Autor iniciante, participou de verões anteriores do projeto “Em um mês um conto”, pelo qual publicou um de seus contos. É amante das boas histórias e, principalmente, de HQs.

Outros títulos do Em um mês, um conto

Anúncios

8 Comments

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s