Natássia, por Atílio de Almeida – Parte 2

Este conto integra a coletânea de narrativas desenvolvidas para o projeto “Em um mês, um conto” e sua publicação no Duras Letras foi autorizada pelo autor.

Você tem idéia do que tem na minha história até aqui? Assim como vou contar, eu nunca contei a ninguém.

Eu estava destruída por dentro e resolvi fugir para praia, escolhi apenas alguns biquinis, esqueci chinelos e mais alguma coisa que talvez fosse necessário. Estava sem destino metendo o louco, liguei o foda-se com força.

Foi incrível te conhecer. Cheguei despretenciosa, só queria me divertir e aproveitar o Sol, mas às vezes é incrível como momentos mudam nosso destino.

Você trabalhava, nem percebi nada diferente, foi cortês, educado e passou o preço dos seus serviços, lá fui aproveitar e restaurar as energias.

O tempo passou, postei nas redes e a magia começou a acelerar, uma vontade louca de me trocar, refrescar, não tinha sede ou fome.

Ao caminhar na areia da praia percebi o erro de ter esquecido chinelos, quando cheguei na calçada para atravessar a rua foi que tive o primeiro… não sei explicar, lapso, conexão com o paradoxo, alcancei o âmago do universo? Sei lá!

Foi muito rápido, logo voltei à real e comecei a pular para atravessar a avenida da orla, parecia que eu brincava de amarelinha, nem percebi a explosão quântica nesse corpo limítrofe.

Cheguei perto, na humildade, te pedi os chinelos emprestados, já tinha planejado, achar a loja mais próxima para comprar um par se não pudesse ajudar, mas prontamente tirou os que usava e me emprestou.

Consegui me soltar do seu olhar safado, onde tentou não passar do limite para não arrumar confusão por minha causa.

Comecei a segunda fase da minha aventura de postagens, agora protegida e isolada do chão. Cara, como fiquei agradecida com seu gesto diferenciado, top.

Anoiteceu e percebi estar perdida no fluxo temporal, simplesmente só recordo de alguns segundos, outros só porque tem fotos e outros registros. Chegou a hora de voltar mas decidi desviar mais um pouco do destino anterior, decidi um novo destino na minha vida sem saber que tinha feito isso.

Você já tinha fechado seu negócio, conversava distraído e estava com outro par de chinelos, disse que não contava que veria de novo nem a mim, nem os que eu usava, mas eu não podia fazer isso contigo depois que me salvou.

Perguntou se eu estava com fome e que ia me colocar em outro patamar se eu quisesse, naquele momento entendi no arrepiar da pele o sentido daquele verso que explica sobre coisas da terra, água e ar.

Quando te vi pensei “é modelo!” uma gata inacessível.

Aí você volta na humildade e me pede algo tão simples, já havia dominado tudo, imaginação, pensamentos e sonhos. Acedito que ali foi uma virada de chave, sutil ainda, quase imperceptível. Tivemos um encontro de gênios, caráter e personalidades.

Senti como um porta se abrisse, a partir dali houve a expansão mental e me conectei à plenitude, me percebi Deus Júpiter.

Ainda ancorado nessa realidade posso te mostrar, você é Artemis de Scorpio.

– Mano, que top, eu sinto! Mas o que acontece? Ainda estou nessa realidade, me sinto presa aqui.

Você acessou um processo diferente, por conta dos laços, raízes que tem aqui. Seu corpo resiste à explosão que vai acontecer se desejar ampliar seu destino.

As realidades colidem e são influenciadas em cada foco, neste caso o mundo de alguém se despedaçou.

Natássia de Artemis, da constelação do Escorpião. As coordenadas do seu destino apontam pra lá. Você precisa ir para poder se encontrar, desenvolver, mas há um preço a pagar. Você tem que decidir se é o que quer, pois não haverá possibilidade de ser como é hoje. Algo em seu subconsciente precisa ser desconectado, como um cadeado te acorrentando.

– Você vai deixar tudo o que conquistou? Com tanto esforço?

– Não é cobrando, assim por ter me conhecido em apenas uma noite. Como sabe tanto de mim? Não conversamos a respeito de nada. Como sabe tanto?

Você não percebeu que eu já havia transcendido minha existência nesse mundo, você precisa ir por ser de lá, a convivência no mesmo plano traria consequências desastrosas.

– Querida, só posso lhe dizer uma coisa por enquanto. Você não tem tempo para pensar a decisão é agora. Continuar e ser a própria Artemis ou ter flashes e lampejos no seu cotidiano de agora?

Continua

Confira a parte 1

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Sobre o autor

Atílio de Almeida é um viajante multidimensional ainda em formação. Autor iniciante, participou de verões anteriores do projeto “Em um mês um conto”, pelo qual publicou um de seus contos. É amante das boas histórias e, principalmente, de HQs.

Outros títulos do Em um mês, um conto

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