Natássia, por Atílio de Almeida – Parte 3

Este conto integra a coletânea de narrativas desenvolvidas para o projeto “Em um mês, um conto” e sua publicação no Duras Letras foi autorizada pelo autor.

Como eu disse, tudo está acontecendo como na música tudo ao mesmo tempo agora, uma frase horrenda para os literatos.

Talvez eu não entre em detalhes de como acontecem os efeitos, sua imgainação pode preencher essas lacunas.

E sua mente ligada ao explendor das naturezas aceita o inaceitável, reclama e pondera o impossível, faltam os 5 elementos, briga com a narrativa, tenta insultar, chega à conclusão: no máximo, é fantasia e não há ciência nenhuma na mensagem.

– Natássia, sem saber você foi desafiada, essa realidade não é nada, não está próxima da expressão “ponta do iceberg”, vamos dizer que é uma partícula quântica, lá em cima, nesse incomensurável e distante objeto.

– Eu te pergunto, percebe sua mente pulsando? Um pouco de vertigem? Náuseas? Alguma sensação como se estivesse cansada? Seu corpo estranho parece falhar?

– Na realidade mais próxima, seu corpo está gerando luz. Resplandece!

Nosso pequeno portal Atlantis está fixo nas coordenadas de Scorpio. A energia concentrada é demais e supera qualquer limite de segurança, onde as consequências não podem ser determinadas. Daqui sua jornada será demorada e envolverá muitos mistérios, até a sua te convergir em Artêmis, sinto parte de mim partir, mas não posso prever nem como nem para onde, sei que gostaria de experimentar e partilhar dessa viagem, mas não é certo, porque eu pertenço a outra divindade, eu já me conectei a Júpiter, tive acesso ao conhecimento. É uma regra.

Mas tamanho é o seu poder que isso fica oculto para mim por enquanto, parece me afetar além do esperado, se houvesse tempo poderíamos brincar de especular essa informação e conhecer as possibilidades.

Isso chega a me irritar, tenho um vasto conhecimento, mas não é completo, sabedoria inútil, sem a informação necessária para usá-la, é angustiante.

A partir disso, sentimos a chegada da hora, nos abraçamos, nós agradecemos o momento partilhado e a explosão acontece.

No mesmo instante, voltei a ter percepção de tudo, você está encaminhada ao seu destino e levou um pouco de mim, sua criação achou melhor ter um pouco de apoio nesse período de aventuras, o que ficou para trás foi um eu moribundo, mas necessário, por funcionar como ancoragem da existência.

Só sei que aqui minha comunicação está cortada diretamente com as pessoas, ou seja, para minha família, aparentemente nada sei, mas isso é para outra história.

O rompimento do portal fez com que ele fosse absorvido pelo Sol. Outra consequência do empuxo foi a regressão de todos os seres às formas mais básicas. A Terra era o primeiro planeta, foi jogado para a terceira órbita, Vulcano virou anel em Saturno e a existência do conceito “vida” foi dizimada em todos os planetas, restando apenas a evolução, aqui. Somos vermes nessa minúscula pulga no universo.

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Fim

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Sobre o autor

Atílio de Almeida é um viajante multidimensional ainda em formação. Autor iniciante, participou de verões anteriores do projeto “Em um mês um conto”, pelo qual publicou um de seus contos. É amante das boas histórias e, principalmente, de HQs.

Outros títulos do Em um mês, um conto

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4 Comments

  1. Uau! Adorei! Adoro esse tipo de história que termina onde começa pra nós. E eu achando que estava lendo no futuro… você me surpreendeu. Parabéns.

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