Por onde começar a ler Freud

Texto por Isadora Urbano
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A dúvida sobre por onde começar a ler Freud é compartilhada por muitas pessoas e pode, realmente, gerar algum embaraço, especialmente porque sua obra é bastante extensa e volumosa, com dezenas de textos que vão construindo progressivamente a teoria psicanalítica freudiana. Contudo, isso não significa – ou não necessariamente significa – que seja preciso começar “pelo começo”, cronologicamente e fazer uma leitura extensiva, de cabo a rabo. Para quem quer conhecer a obra de Freud, mas não espera examiná-la à exaustão, existem várias opções possíveis, de modo que a resposta à nossa pergunta deve, antes de tudo, levar em conta que não existe um só caminho para começar a ler Freud.

Por esse motivo, outro ponto importante é saber qual é o seu interesse nessa leitura, uma vez que é totalmente válido ler Freud pensando no conhecimento da sua técnica ou teoria psicanalítica, em vista de um ponto de vista filosófico, com um recorte bem específico (por exemplo, usa-se muito os conceitos freudianos de trauma, infamiliar e sintoma em outras áreas que não a própria psicanálise), ou por curiosidade, já que os textos de Freud também possuem uma grande qualidade literária – aliás, sabia que Freud foi laureado no Prêmio Goethe de Literatura, em 1930? Ele também chegou a ser indicado ao Nobel de Literatura em 1936, mas este quem levou foi Eugene O’Neill.

Tendo isso em mente, como analista em formação e entusiasta da teoria e da prática psicanalítica, gostaria de indicar algumas possibilidades para quem ainda não decidiu de onde partir. 🙂

Para quem quer ler Freud como pensador da cultura

Aos que estão procurando um Freud filosófico, com mais atenção ao seu pensamento enquanto um intelectual de seu tempo que como médico e psicanalista, as sugestões de leitura são Considerações atuais sobre a guerra e a morte (1915), A transitoriedade (1916) e O mal estar na civilização (1930), sendo o terceiro deles o mais longo e mais desafiador, enquanto os outros ganham na sua linguagem acessível e na beleza das ideias, além de serem textos bem breves.

Para quem quer estudar psicanálise

Como vocês já devem ter desconfiado, nem se eu elencasse aqui uma dúzia de textos seria possível dar conta de passar por tudo que a teoria que Freud produziu. Por isso, considero essas indicações apenas um aperitivo, sem pretensão nenhuma de esgotar o assunto, mas só pra dar aquele gostinho em quem está a fim de conhecer mais do assunto, ok? Então, aí vão as sugestões: para quem quer ler Freud para estudar psicanálise, alguns textos interessantes são O sonho é a realização de um desejo (1900), Os instintos e seus destinos (1915) e A questão da análise leiga (1926). Dica de ouro: se puder, consulte um dicionário de psicanálise quando bater a dúvida sobre o que quer dizer algum conceito. Pessoalmente, gosto muito do Vocabulário da Psicanálise de Laplanche e Pontalis, mas existem outros igualmente competentes, como o de Roudinesco e Plon, por exemplo.

Para os amantes de literatura e outras artes

Além de um exímio médico e pesquisador, Freud também foi um grande admirador da literatura e de outras artes, tendo usado delas para ajudar a construir sua teoria – não vamos esquecer a importância do mito de Édipo para Freud, por exemplo – e escrito sobre elas em algumas ocasiões. Na verdade, muitos de seus textos têm pinceladas com referências a poetas, dramaturgos e romancistas admirados pelo autor. Se você também se interessa por esses temas, pode gostar de textos como O escritor e a fantasia (1908), O tema da escolha do cofrinho (1913) e O inquietante (1919).

Para quem procura histórias reais

Uma última aposta, para os quem ainda estão indecisos, são os casos clínicos de Freud, em que o autor relata em minúcias os encontros com pacientes, suas queixas, a evolução dos seus sintomas, seus sonhos e suas interpretações. Cada caso costuma trazer importantes contribuições à teoria freudiana, pois é a partir deles, ou seja, a partir da experiência clínica, que Freud faz as suas proposições para o campo psicanalítico. Alguns dos casos mais importantes e conhecidos de Freud são O caso Dora (1905), O pequeno Hans (1909), O homem dos ratos (1909), O caso Schreber (1911) e O homem dos lobos (1918), além dos que estão em seus Estudos sobre a histeria (1893-1895), dos quais gosto particularmente do caso sobre Emmy von N., a partir do qual Freud deixa a hipnose e começa a se valer da associação livre na condução dos tratamentos.

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