Lirismo enquanto doença

Texto por Otávio Moraes Na nossa cultura, o conhecimento (segundo uma antinomia que Aby Warburg acabou diagnosticando como a “esquizofrenia” do homem ocidental) está cindido entre um pólo estático-inspirado e um pólo racional-consciente, sem que nenhum dos dois consiga reduzir integralmente o outro.– Giorgio Agamben, em Estâncias   No poema “Num monumento à aspirina” é possível [...]

Narrativas da ditadura na literatura brasileira contemporânea: formas de crítica e de resistência

Texto por Gabriel Reis Martins Não há dúvidas de que a literatura brasileira, nos dias atuais, é plural e multicultural, o que significa que são muitas as vertentes que a compõem. E, pensando que falar de todas elas é uma tarefa dificílima (e talvez impossível), e também levando em conta estes tempos sombrios pelos quais [...]

Entre Ramos e Rosa: os narradores do sertanejo em comparação

Guimarães Rosa (1908-1967) e Graciliano Ramos (1892-1953) são autores que dispensam longas apresentações. Cada um, em seu respectivo tempo, propôs um retrato cultural que se afastava dos lugares comuns da primeira metade do século XX, tematizando principalmente a vida sertaneja; entretanto, mesmo agindo de fora das convenções literárias, os dois tiveram contato e assimilaram traços [...]

Vanguardas europeias e poesia modernista no Brasil em dois poemas

Dentre as inúmeras raízes que a cultura brasileira possui está incluída a europeia. Desde o processo de colonização até as atualizações nos padrões políticos e econômicos contemporâneos, somos atravessador por valores que encontram seu berço no continente europeu. Evidentemente, por ser uma relação tão próxima, todos os campos do saber são afetados, o que explica [...]

Infância, de Graciliano Ramos: memória e transculturação narrativa

Delineia-se a identificação de elementos modernos e configuradores de transculturação narrativa na obra "Infância", de Graciliano Ramos. Trata-se de um livro que oscila entre a confissão e a ficção, perfazendo uma interessante mescla pautada no tom memorialístico e na dificuldade de acessar e representar as recordações advindas da memória.

Repensando a sociedade com “Primeiro de Maio”, um conto de Mário de Andrade

O nome de Mário de Andrade (1893-1945) é tão corriqueiro e importante para a historiografia literária brasileira que dispensa apresentações longas. Autor do célebre Macunaíma e um dos protagonistas da Semana de Arte Moderna, de 1922, Mário pode muito bem ser considerado uma das "antenas da raça" - expressão utilizada por Ezra Pound para descrever os [...]